Os pátios de Córdova contam histórias

Destinos

No sul de Espanha, o caráter tem quase sempre tem nome de cidade. No caso de Córdova, os traços mouriscos da arquitetura, combinados com um gosto mediterrânico por arranjos florais, transformaram os pátios em jardins, espaços íntimos e garridos onde nem sempre é possível entrar.

Pelas ruas de Córdova

Córdova foi feita para deambularmos à sorte e para nos perdermos vezes sem conta pelas suas ruelas. Vista da Torre da Calahorra, do outro lado do rio Guadalquivir, a cidade tem ar de fortaleza inexpugnável, embora as pontes dêm as boas-vindas a quem se aproxima pelo Sul, em direcção à frieza de pedra da Mesquita-Catedral. Na outra margem, penetrando no bairro antigo depois de ver a última nora que ainda resiste no rio, entramos num dédalo de ruelas de chão empedrado, feito de casas brancas e baixas.

De vez em quando uma brisa corre pelas ruas estreitas e uma música dolente sai de uma varanda, nem árabe nem europeia, numa simbiose terna do que já foi a cidade. A visão das palmeiras junto ao Alcazar e do casario branco da antiga medina, as muralhas que envolvem a cidade e o seu chão, onde a pedra vai formando desenhos geométricos, lançam a dúvida sobre o continente em que estamos: Europa ou África?

O monumento mais famoso é, sem dúvida, a Mesquita-Catedral, que nos conta em linhas gerais a história da cidade, fundindo no seu interior uma floresta de colunas mouriscas e uma catedral que vai do gótico ao barroco, símbolo da miscigenação islâmico-cristã que aqui sempre teve lugar. Mas a mais bela característica do urbanismo cordovês são os pátios, lugar de recolhimento ou de festa, presentes em toda a medina cordovesa. Na judiaria ou nos bairros árabes, antes e após a conquista dos cristãos, ainda hoje estes espaços são o verdadeiro eixo histórico e artístico da cidade antiga.

Pátios em concurso

A única forma de os ver é conhecer alguém que more por ali, ou visitar a cidade em maio, altura e que alguns dos pátios se candidatam a um concurso de beleza que os obriga a estarem abertos ao público durante alguns dias.

As varandas de ferro que se recortam na alvura das paredes já são enfeitadas com vasos, antecipando a exuberância dos interiores. Especialmente concebidas para manter o recato do lar, as casas têm janelas escassas, pequenas, protegidas por portadas e por decorativos varões em ferro forjado; as maiores podiam ter vários pátios, como o Palácio Viana, que chega aos doze.

De ângulos rectos e de acesso imediato pela rua, é pelo pátio que se chega às outras divisões da casa, dispostas em seu redor. Alguns têm poços ou mesmo lagos com repuxos no meio, mas a maior parte é de chão empedrado ou cimentado, com cântaros e vasos floridos por todo o lado, sobretudo nas paredes. As flores mais populares são os gerânios, que dão uma garridice muito especial ao branco das casas, sobretudo quando os próprios vasos são pintados com cores fortes.

Na Andaluzia, sempre foram os interiores a denunciar a riqueza do proprietário, pelo requinte e tamanho dos seus pátios e pelos materiais usados na decoração de toda a casa. Algumas das habitações têm, instalada num canto do pátio, uma pequena cozinha “de verão”, onde se prepara as refeições enquanto se usufrui um pouco do ar livre – nada melhor do que um espaço íntimo ao abrigo do calor escaldante, onde a sombra é garantida, para fazer a sesta ou apanhar a primeira frescura da noite. Lugar de referência para as famílias muçulmanas, onde as mulheres e as crianças passavam a maior parte do tempo, nos lares cristãos o pátio transformou-se em recatado lugar de convívio para a família e amigos. E em Córdova, numa verdadeira imagem de marca que não se deixou morrer.


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