Não é de hoje: Mulheres Viajantes através dos tempos

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Sónia Serrano apresenta-nos no livro Mulheres Viajantes “a história de várias mulheres que ao longo dos séculos desafiaram as convenções de género viajando sozinhas”. E ao mesmo tempo, o percurso da escrita de viagem no feminino, do século IV até hoje.

Mulheres em Viagem

De Egéria (século IV) à contemporânea Alexandra Lucas Coelho, passando pelas vitorianas que palmilharam o império britânico no século XIX, a obra Mulheres Viajantes, de Sónia Serrano, dá-nos uma visão global de um mundo onde as mulheres eram – e ainda são – uma minoria: a viagem e a escrita de viagem.

 “Em tempos idos, a regra de que nenhuma mulher podia viajar sem um acompanhante masculino era sem dúvida racional. Mas num período de fácil locomoção e com abundante evidência a provar que as mulheres podem viajar sós em países estrangeiros em perfeita segurança, a continuação desta regra é algo injusta” – uma afirmação sobre um assunto que me é querido, e ainda hoje contestada por muitos (alguns deles, mulheres), feita no século XIX pela viajante inglesa Mabel Sharman Crawford, a propósito da sua passagem pela Argélia.

Três séculos depois, ainda subsiste a ideia de que as mulheres estão mais sujeitas a serem atacadas, ou vítimas de … na verdade nem sei bem o quê. A ideia sustenta-se numa crença global, – da qual grande parte das mulheres são ainda hoje veinculadoras -, que reza que a fêmea é mais frágil que o macho. Tem menos músculos e um esqueleto mais leve, isso sim. Mas serão esses atributos essenciais para se viajar em segurança nos dias de hoje, em que, digamos, os salteadores de estrada não são a maior preocupação de um viajante? Não serão as capacidades geralmente mais socialmente aceites (estimuladas?) na mulher, como a capacidade de comunicar (fazer indagações e pedir ajuda, por exemplo), mais úteis do que a capacidade de enfrentar um meliante com as próprias mãos? Ou será que o que importa mesmo é reservar algumas atividades para usufruto masculino, classificando-as de “aventureiras” ou até “perigosas”?

O muito que as mulheres escreveram sobre viagens poderia já ter lançado mais luz sobre o assunto, fossem as suas obras mais divulgadas. Por isso, além do interesse do livro em si, fica este gesto de divulgação de dezoito gloriosas fêmeas que, para além de viajar pelos mais variados motivos, ainda registaram os seus périplos, contribuindo para o mosaico feminino das escritoras viajantes.

 A Autora

Sónia Serrano nasceu em Lisboa e tem-se dedicado ao estudo da literatura espanhola e hispano-americana. Fez crítica literária no Jornal de Letras e participou em publicações de poesia. Foi comissária da exposição auto-Retratos do Mundo, em 2010, sobre a viajante e escritora suiça Annemarie Schwarzenbach, que lhe serviu de tema novamente para um colóquio internacional no Instituto Franco-Português. Nos últimos anos tem-se dedicado à investigação sobre literatura de viagens.


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