Parque Nacional Cahuita: pura selva à beira-mar

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O Parque Nacional Cahuita é um pedacinho especial da Costa Rica: um éden tropical cheio de aves do paraíso, serpentes da tentação e pecados mortais, como a preguiça. Tudo embrulhado numa cortina verde de árvores e calor, debruada pelo azul e branco das praias.

Cahuita, Costa Rica

O Parque Nacional Cahuita foi fundado em 1970 para proteger cerca de 22.400 hectares de pântanos, mangais, floresta tropical costeira, e também o meio marinho, nomeadamente os corais. Apesar de toda a beleza e facilidade de acesso (4 horas de autocarro desde a capital, San José), este continua a ser um dos recantos menos conhecidos para ver a fabulosa fauna da Costa Rica.

Chegar a Cahuita é chegar a um nenhures tropical, de casas coloridas espalhadas por ruas que só têm asfalto junto ao pequeno terminal de autocarros, no centro da aldeia. O resto não é muito mais, e mal se vê, embrulhado como está no arvoredo que não se faz rogado para crescer.

Alguns restaurantes e agências de viagens minúsculas usam as paredes de madeira como tela para replicar a selva, o mar e as cores que envolvem a terra. Nota-se que o turismo já chegou, mas o pequeno turismo surfista e mochileiro, que gosta do genuíno, dos preços baixos e da lentidão que vem com o calor das Caraíbas.

Estamos no norte da Costa Rica e a cidade mais próxima é Puerto Limón, que num país bastante seguro conseguiu a reputação de não o ser assim tanto. Em Cahuita recomenda-se não voltar sozinho à noite para uma guest house afastada do centro, talvez por haver algumas chances de tropeçar numa pedra da rua, ou de encontrar alguém que bebeu ainda mais e que precisa de ajuda para pagar a conta do bar.

De dia, é um sossego. Cahuita fica colada à costa, mas não tem praia; é preciso caminhar uns 20 minutos até à Playa Negra ou, melhor ainda, 5 minutos até à Playa Blanca, já dentro do Parque Nacional que leva o nome da terra. Aí, bem mais do que praias de areia branca (pouco) sombreadas por coqueiros, há uma selva de pés no mar, que por sinal esconde um dos últimos recifes de coral vivo da Costa Rica. Por cima, agita-se um mar azul e quente, irresistível. Como não há marés altas nesta costa banhada pelo mar das Caraíbas, a vegetação cresce mesmo até ao mar.

Atravessamos a vau o rio Perezoso para chegar a Punta Cahuita, onde uma preguiça se enroscou preguiçosamente para dormir; uma bola de pelo com algumas unhas de fora, é o que se vê na ponta do ramo esticado sobre o mar. Quando chove muito o acesso a vau é impossível, mas do outro lado de Punta Cahuita, o caminho até Puerto Vargas é mais acessível e esconde as melhores e maiores praias. No total são 8 kms de trilho bem marcado e percorrido por guardaparques, sempre dentro da selva e à vista do mar.

Nas árvores penduram-se macacos como o bugio (howler monkey) e o capuchinho de cara branca, mas também esquilos, serpentes e aves de várias cores; formigas percorrem entusiasticamente os ramos, acartando pedaços de folhas acabados de cortar, em filas infinitas. Garças elegantes pescam na junção do rio com o mar e junto a umas mesas de piquenique ao pé da praia, uma mãe guaxinim (urso-lavador) e seus filhotes vêm fazer uma visita aos turistas, investigando os pertences dos mais distraídos. Há sempre qualquer coisa para ver. E se os bichos não se mostram, as elaboradas e garridas flores tropicais tomam a sua vez como centro da nossa atenção.

Com uma vibe profundamente caribenha, Cahuita é a terra dos trabalhadores jamaicanos que vieram para o território como mão-de-obra dos caminhos-de-ferro e depois nas bananeiras da United Fruit. Aqui a comida tem influência francesa e caribenha, e vai muito para além dos sabores simples do gallo pinto. Isolada em pequenas bolsas na costa norte do país até há pouco tempo, a população manteve uma língua e cultura próprias, e hoje são os ticos* com mais sway de toda a Costa Rica.

*Costa-riquenses

 


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