Cemitérios, lugares de repouso

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Por todo o mundo, os cemitérios começam por ser lugares sossegados, afastados das povoações, mas muitas vezes acabam engolidos por novas casas e ruas. São locais de repouso, onde muitos vão na esperança de se sentirem mais próximos de quem perderam.

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Cemitérios, lugares de repouso

Pela sua magnificência e localização, ou por acolherem um grande número de personagens célebres, alguns cemitérios esquivam-se ao seu desígnio de lugar de repouso e tornam-se famosos, integrando até roteiros turísticos; é o caso do Père Lachaise, em Paris, o Okunoin, no Japão, ou La Recoleta, na Argentina. Mas mesmo excluindo os grandes mausoléus erguidos para celebrar personagens marcantes da história – ou apenas da época -, na maior parte do mundo o homem sempre optou por assinalar o local onde deposita a parte de nós que, obviamente, não resiste ao tempo.

Mas sendo o sofrimento comum a todos, a necessidade de assinalar a passagem de alguém pela terra é que já é muito diferente, e muito influenciada pelas religiões. Basta ver os cemitérios que vamos encontrando pelo mundo fora. Ou a (quase) ausência deles.

Budistas e hindus optam pela cremação do corpo, e embora alguns dos primeiros acabem por enterrar as cinzas, o que é importante são os momentos íntimos diários, em que falam com quem perderam ou lhes dirigem uma prece, enquanto queimam um pau de incenso num altar caseiro. Podem juntar-lhe outros ritos, como a oferta de água ou de arroz, mas é tudo realizado na intimidade do lar.

Nos cemitérios católicos – por contraste com os austeros luteranos, por exemplo –  é costume o mausoléu ou campa ser vistosa, visitada e enfeitada com flores, por vezes em grupo, nos dias designados. O apoio que se recebe da comunidade é muito importante, e o investimento no túmulo parece querer mostrar aos outros a estima/importância de quem se perdeu.

Para os muçulmanos, a morte é um assunto encerrado. Quem morre vai para um lugar melhor (ou não), a alma vive e o corpo é como um envelope que se deita fora depois de ler a carta. As campas são feitas com cuidado, mas não existe o culto dos mortos que leva as pessoas a visitar, e ainda menos a decorar o local onde se depositou o corpo de quem se perdeu. Em muitos lugares deixa-se que a natureza venha ocupar o que é seu, voltando as lápides a fazer parte da terra.

Um cemitério fora do comum, no Irão, onde os túmulos têm fotos dos que morreram a lutar pelo país na guerra contra o Iraque.

Nos cemitérios judaicos as campas são simples, mas há visitantes que deixam uma pedrinha a assinalar a sua passagem – um costume que vem, provavelmente, do tempo em que os túmulos eram meros montes de pedra que se desfaziam, e ao juntar uma, se adiava o seu desaparecimento.

Seja qual for o local do mundo, uma visita a um cemitério levanta mais um pouco o véu da cultura local. As imagens falam por sim; da Argentina à China, o local geográfico e as diferenças estéticas fazem destes locais de repouso muito mais do que uma “última morada”. No Japão, encontramos túmulos mandados construir pelas empresas para os seus funcionários, em Madagáscar, os túmulos mahafaly mais modernos têm pinturas que contam cenas da vida do defunto. Os meus favoritos são, sem dúvida, os cemitérios que encontrei no sul do Quirguistão, onde os cavaleiros nómadas têm um túmulo com a forma de uma tenda, no alto de um monte.

Túmulo antigo tradicional dos mahafaly, Madagáscar


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